Vem um zumbido à mente, como uma mosca a pairar sobre o ar. Uma pergunta inquietante, maldita pergunta. Todos os questionamentos retornam a ela.
_ Você é importante para quem?
Se não se toca, sua vida continua, caminha normalmente – na verdade corre como em uma maratona – e você não percebe quem sente sua falta. O que faz a pessoa sentir sua falta. E quanto mais voa sua vida, mais ainda voa a sua percepção de como está inserida nela. O resumo é uma vida sem diálogos, sem relações sociais, sem construções efetivas e afetivas.
E na verdade, não sabe nem o que faz cada pessoa se envolver com você. Não faz diferença.
_ Quantas vezes seu celular toca por dia? Dessas vezes, quantas são realmente para você e quantas são por questões de trabalho, do qual você apenas se irrita e fala mal?
Um vazio imaginário que se torna realístico ao perceber seu afastamento de qualquer outro ser. Demonstrações de afeto se tornam eventos midiáticos.
_ Quem te ama? Quem você ama? Alguém sabe o que é amar?
Como num passe de mágica você descobre que tudo o que você constrói na sua vida social, você não sabe se é perpassado de amor, carinho, afeto... ou interesse, ganância, ou até mesmo desinteresse. Descobre? Ou apenas por um instante se torna claro?
_No fim, você está sempre sozinho.
O maior medo das pessoas é a solidão; e o que elas mais constroem no decorrer de sua vida são os muros que garantem essa solidão. Muros impenetráveis, indissolúveis, inalcançáveis.
Ser sincero não é mais a moda do momento. Ser honesto passa longe. Demonstrar que tem sentimentos dentro desse corpo duro, isso nem pensar, não existe. O corpo é uma muralha.
_ O que eu sei sobre você?
É tudo tão efêmero que não se (re)conhece as pessoas, mesmo as mais íntimas. Não existem espaços de abertura para conhecimentos verdadeiros.
E a solidão paira, com lágrimas e dores. Com quem se pode compartilhar sentimentos?